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Tordos - 20 Dicas para um bom aguardo Imprimir e-mail

 
De Sérgio Vieira Texto cedido por especial cortesia do Sr Isaías Piçarra de Brinches.

 

 

 

Este artigo não se destina especialmente aos caçadores com experiência sobejamente adquirida, que realizam muitas destas técnicas de uma forma empírica (através da experiência), com uma extrema eficácia, mesmo sem nunca as terem sistematizado.

Também não tem a mínima veleidade de ser exaustiva, pretende apenas que os caçadores mais novos possam usufruir da experiência dos mais velhos e utilizem técnicas correctas o mais cedo possível. Alguns puderam ter a sorte de frequentar uma escola de formação, (o que devia ser sempre obrigatório para a obtenção da carta de caçador) mas perguntem aos caçadores mais velhos quantos terão lido um único artigo sobre a técnica de caça ou normas de segurança. 

Quantos como eu, na pujança da juventude, pegaram numa espingarda pela primeira vez, cartuchos na câmara, dedo no gatilho, e desandaram pelos campos fora. Hoje temos noção da forma tão irreflectida e inconsciente como se passaram muitos desses anos. Aprender só na base da nossa experiência é muito duro e lento. Assim aqui deixo estas dicas, para que as juntem (ou desprezem) à vossa própria experiência. 

A função do aguardo, é dissimular, esconder, a presença do caçador, que se encontra á espera da passagem da caça, neste caso, os tordos. Quanto melhor estiver integrado no ambiente de caça (paisagem) maior a probabilidade de não ser detectado, e de não ter aquela desagradável sensação de rejeição, ao ver a caça sistematicamente desviar a sua trajectória muito antes de entrar na área útil de tiro. 

Na escolha do local aparecem – mais frequentemente duas situações: -          já existem os lugares previamente marcados, em que a possibilidade de escolha é muito restrita, limitando-nos quase a compor o aguardo (muitas vezes cumprem apenas critérios de distâncias entre os postos e não tem as mínimas condições para realizar tiros com a eficiência desejada e criam hábitos destorcidos) -          há liberdade de escolha, e aqui sim, ponha os seus trunfos em cima da mesa. Dividi esta abordagem em cinco aspectos: 

Localização:

 1 – Procure uma linha de separação natural (montado / olival, olival / matos). Nas épocas mais favoráveis para caçar ao tordo, este desloca-se na manhã dos montados / matos para os olivais procurando a comida, e na tarde no sentido inverso para a dormida, sendo frequente que este retorno não se faça pelos mesmos locais. 

2 – Que esta linha seja sempre que possível perpendicular ao trajecto da caça, permitindo que o tordo lhe chegue sem ser atirado por outros companheiros, o que torna o tiro mais difícil pelo ziguezaguear procurando a fuga. 

3 – Combine com os companheiros manterem a mesma linha recta. Tem como objectivo questões de segurança, não interferência nas áreas de tiro entre os caçadores e que os tordos que se dirijam a esta área sejam atirados por um ou outro caçador. 

4 – Prefira uma zona plana onde possa observar a tempo as deslocações e as entradas das aves, zonas onde o voo é mais constante em altura e antes que estes mergulhem “ a pique “ para a comida ou dormida. Se tiver que se posicionar numa encosta, faça-o do lado da encosta virada para a chegada da caça (caso contrário, tantos tiros para trás só serve para partir os rins, gastar cartuchos e lamentar-se). Prefira o terço superior, mas a não a cumeeira (linha superior da encosta) aqui a sua silhueta é mais fácil de detectar (mesmo visto de muito de cima). 

5 – Não coloque o aguardo numa zona muito limpa de vegetação. A caça conhece a região e vai notar que não existia nada ali anteriormente. Num olival regular, alinhado, limpo de vegetação espontânea coloque-se com uma oliveira nas suas costas, esbatendo a sua silhueta. Os montados e os matos fornecem maior facilidade de encontrar locais e materiais para a montagem do aguarmos.  

6 – O aguardo fica de frente para a entrada da caça, afim de atirar o mais possível de peito. Nesta posição terá também muitas oportunidades de atirar de passagem (de lado) pois nem todos iram entrar de frente.  

O Aguardo

7 – Sempre que possível que seja artificial *cubra-o com vegetação natural, a linha superior não deve ser recta mas recortada com vegetação. Se for natural aproveite qualquer arbusto já existente e componha-o com vegetação do mesmo tipo ou forme um com materiais retirados do local. NÃO CORTE NADA NUMA ÁRVORE. Aproveite matos, estevas, vegetação natural, mas nada da cultura instalada. Na sua opinião não fazia mal, e na opinião do dono? Tenha atenção á altura do aguardo. Se for muito baixo obriga-o a permanecer de costas encurvadas, posição pouco cómoda para passar umas horas. Se for muito alto, ou não vê a entrada da caça ou terá de atirar para trás. Também não consegue atirar aos pássaros que lhe passam transversalmente á sua frente. Teste a altura, colocando a espingarda na cara, rodando por cima do aguardo, não deve embater em qualquer obstáculo, sendo o limite mais baixo da arma a altura máxima das árvores (já vamos ver porquê). * Para fugir á tentação de cortar o que não se deve 

8 – Limpe o local onde coloca e movimenta os pés de pedras, arbustos etc. O equilíbrio no momento do tiro é fundamental. Se estiver numa encosta, tente com as botas criar uma pequena plataforma horizontal. Não crie hábitos de atirar sentado ou a andar. 

9 – Afaste-se das árvores, retiram-lhe área de tiro e cortam a trajectória de voo. Se não puder, coloque-se de modo a ficarem nas suas costas.Mantenha-se quieto (pode estar sentado), até ao momento do tordo entrar na área de tiro. Se aperceber que um tordo se dirige para o seu posto e não se encontra correctamente escondido, permaneça imóvel na posição em que está, é preferível a mexer-se para se cobrir melhor. O movimento è mais facilmente detectado que a posição incorrecta.  

Condições ambientais

10 - Se existir vento, espeque bem o aguardo do lado contrário.Se o vento é a favor do voo das aves, este é geralmente alto, de grande velocidade e á mínima desconfiança aproveitam a velocidade do vento para se afastarem. Com vento contra o peito, o pássaro baixa, procura as covas, zonas de baixa e quando é atirado volta para trás a favor do vento.  

11 – Se o nevoeiro estiver presente, o tiro é bastante mais facilitado, necessitando um pouco mais de atenção pois os tordos vão lhe aparecer já entrados, requerendo maiores reflexos. Atenção aos choques da espingarda, na maioria das vezes um cilíndrico funciona na perfeição. Não use dispersor que torna a distribuição do chumbo irregular. O aguardo nesta situação não assume grande relevância. Contudo se acerta na passagem muito bem, mas também não segue detectar se a passagem se estiver a fazer a 10metros de si. O ouvido é muito importante, grande parte dos tordos só são detectados pelo piar característico quando passam. 

12 – Se o dia se apresentar limpo com sol, e principalmente nas horas em prevê um maior fluxo de passagem, preveja que não esteja na sua frente já que não vai puder sequer levantar os olhos acima do aguardo. É preferível colocar o aguardo na sombra de uma árvore (preveja alguma deslocação da sombra), perdendo área de tiro mas liberte-se deste incómodo muito perturbador da visão. As pupilas protegem fechando e abrindo conforme a luminosidade é maior ou menor, este constante movimento perturba a visão impossibilitando-o de apontar. Use um chapéu de pala comprida e habitue-se a usar óculos de protecção (mais escuros ou mais claros). 

13 – Sendo os tordos uma caça de Inverno, é frequente o frio. Depende muito de pessoa para pessoa, mas é normal nas orelhas, mãos e pés. As orelhas podem ser cobertas com um capuz que não chegue á face para não interferir no alinhamento da pontaria, nas mãos use luvas finas que não retirem muita a sensibilidade.     O frio dos pés é agravado pela humidade neles gerada pela deslocação até ao local da caça carregando equipamento por vezes pesado, principalmente os cartuchos que nesta caça podem ser necessários bastantes. Para o evitar polvilhe os pés (e inclusivamente o interior das meias) com pó de talco para manter os pés secos. Na caça faça algumas deslocações (apanhar tordos, por exemplo) para melhorar a circulação sanguínea já está bastante tempo parado. 

14 – Quanto á chuva, enquanto não souber alguma solução que me agrade, vou ficando na cama.  

O Tiro  

 15 – Defina a sua zona de tiro. Esta zona vai depender essencialmente do alcance efectivo da arma (calibre, estrangulamento (choque utilizado, cartuchos, número do chumbo), localização dos companheiros, altura mínima para atirar, obstáculos existentes (árvores, linhas de energia eléctrica, posição do sol, etc.) e muito especialmente da altura da entrada da caça.Leve na algibeira um ou dois choques para mudar se necessário. Queria realçar a importância da altura mínima para atirar, na caça de espera aos tordos, não devia ser permitido atirar abaixo da altura máxima das árvores, (também não precisa de ser proibido basta-nos a precaução e o civismo), e evitaríamos tantos acidentes. Se no local onde está colocado é obrigado a atirar com frequência na zona pouco eficiente, ou seja “ tiros de rabo “, é porque há aspectos que não estão bem previstos. Fere os animais que acabam por morrer longe e não se capturam ou caem a grandes distâncias difíceis de localizar. Os tiros devem ser efectuados, na horizontal num ângulo até 180 graus á sua frente e na vertical num ângulo entre os 45 e 90 graus no sentido da altura.Se os tordos entrarem bastante altos então o 1º tiro terá de ser efectuado num ângulo superior a 45 graus ou seja mais na vertical, assim como maior o desconto para a frente. Na caça de aproximação, se utilizar uma arma de dois canos, dispare primeiro o cano mais estrangulado e depois o mais aberto.
Os tiros efectuados nesta região atingem os animais de frente, zonas mortais, os tordos caem mais perto facilitando a localização e a captura.
 

O Comportamento 

16 – Quando apanha uma peça fora do aguardo, utilize um percurso que permita ser facilmente visto pelos colegas. Veja aqui como é importante nunca atirar abaixo do nível máximo das árvores, seja em que direcção for, nem sempre o colega está no local onde pensava. Marque mentalmente o local da queda atendendo a pontos de referência (árvores, pedras, vegetação). No aguardo deixe a arma descarregada (por exemplo em cima do estojo de transporte). Se a deixar carregada e encostada ao aguardo um golpe de vento pode derrubá-la e disparar acidentalmente.  

17 – PREZE SEMPRE PELA MÁXIMA SEGURANÇA, em qualquer situação de dúvida de puder atingir alguém, não atire e fica o caso resolvido. Nunca poderá ser uma boa caçada, um bom dia de divertimento, quer para si quer para qualquer colega que o acompanha se alguém for chumbado (quantas vezes com gravidade). 

18 – Nunca discuta pela posse de uma peça de caça, fique com o gozo de a ter abatido e ofereça-a sem desdém ao companheiro. O seu objectivo é divertir-se, e não mostrar aos outros que mata MUITA caça. 

19 Respeite a propriedade privada, como exige ser respeitado quando alguém o visita em sua casa. Deixe as porteiras como as encontrou (abertas ou fechadas). O tiro ao alvo, a não ser os tordos objectivo da caçada, tem outros recintos próprios e também os seus aliciantes, que não são para aqui chamados. 

20 – No final, desmanche o aguardo, coloque a ramagem no local onde estavam ou num local onde não prejudiquem, apanhem caixas e cartuchos vazios, e tudo o não pertence a este ambiente.                                                            

E BOA CAÇADA !!!!!  

De Sérgio Vieira Texto cedido por especial cortesia do Sr Isaías Piçarra de Brinches

 
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